Um verdadeiro frenesi tomou conta do país quando confirmaram as vindas de U2 e Rolling Stones. Não havia conversa entre amigos que não se comentasse algo sobre os mega grupos. Planos para o dia do show, músicas preferidas, ex-mulheres ou noitadas dos integrantes, extravagâncias, tudo era discutido. Várias mídias também retrataram as bandas das mais diversas maneiras.
Começo pelos Stones. TUDO era importante. "Luciana Gimenez está na piscina do Copacabana Palace e atenção!", exclamava o apresentador da Rede TV, "Mick Jagger está lá no hotel!", continuou em tom de descoberta para a cura do câncer. O jornal O Estado de S. Paulo publicou uma página inteira sobre a visita da banda inglesa na cidade de Matão. Os Stones passaram uma temporada no interior de São Paulo nos anos 70. Bela matéria.
Com tanta atenção da mídia, algumas lendas urbanas nasceram. Talvez o comentário mais divertido tenha sido um pouco preconceituoso. Em São Paulo, a maioria das pessoas tinha um amigo carioca, ou conhecia alguém que tinha um. A recomendação deste "amigo" era: “Nem os cariocas vão porque todos sabem que será uma loucura e serão assaltados. Já avisaram que vai ter arrastão”. Como será que essas coisas nascem? Alguém conta uma piada, outro acredita e passa pra frente como verdade? Como esse show será lembrado daqui a 50 anos?
A passagem do U2 também “parou” o Brasil. Até mesmo o presidente Luis Inácio Lula da Silva quis encontrar com Bono. Ainda me pergunto o que, em qual língua eles conversavam a sós enquanto posavam para as fotos? Vale lembrar que Lula é autor de frases do tipo: “A maioria das importações do Brasil vem de fora do país”. Talvez seja isso que tentou dizer ao Bono enquanto zilhões de flashs refletiam em sua pele vermelha (seria exposição ao sol ou ao álcool?). Será que o governo me expulsa do país por dizer isso?
A Globo mostrou matéria cujos personagens eram pessoas acampadas na porta de um dos portões do Estádio do Morumbi, em São Paulo, onde os irlandeses se apresentariam dias depois. “Estamos aqui há uma semana e já conhecemos todos os vizinhos de barraca. Vamos até fundar uma comunidade no orkut dos acampados no portão XX”, revelou uma das felizes e sorridentes pessoas que queriam entrar antes de todos. A meta era ficar o mais perto possível do palco. Depois dessa maratona, o mais provável é que seriam todos esmagados pelo restante do público contra uma grade que fica na frente dos palcos. Felicidade é mesmo ser um conceito subjetivo.
O líder da banda irlandesa beijou outra brasileira nos palcos. A garota virou celebridade. Seu orkut e também o de seu marido receberam milhares de mensagens em algumas horas. Katilce Miranda deu entrevistas para várias publicações, estações de rádio e TVs. Alguns sites divulgaram até que ela estava sendo cogitada para fazer uma ponta em algum programa da Globo. Agora, além dos ex-BBBs teremos as ex-beijadoras do Bono como celebridades.
Imagino que sejam lembranças distintas para Katilce e para seu marido. O que dizer aos amigos, tomando aquela cerveja na sexta-feira? Perguntar “Você viu minha mulher na TV?”. Mas Katilce não foi a única. Alguém lembra o nome da garota que viveu um fenômeno parecido ao beijar Bono em um show anterior?
Se falou tanto sobre tanta coisa. Será que não dava pra falar um pouco mais do Franz Ferdinand, que abriu os shows? Pelo menos o suficiente para que outras pessoas pudessem conhecer a banda. Confesso que tentei falar mais sobre eles, mas não deu. A banda é legal, mas U2 é U2. Stones são Stones. Num cenário onde tudo é mega, rentável e mexe tanto com um país, o FF novo e bom. E isso pra concorrer, com sorte, a ator coadjuvante.
21 de Março de 2006
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