
“Deus está morto e Marx também. Nem eu já me sinto muito bem”. A frase de Woody Allen pode ser compreendida de várias maneiras. Uma das leituras pode ser aplicada ao desenvolvimento da História. Parece que tentamos de tudo e apenas a injustiça saiu vencedora. A esperança se foi? Junto com ela os ideais de lutar por um mundo melhor e uma sociedade mais justa?
O século XX começou em meio a revoluções de preocupação com o povo e seu bem estar. Já o século XXI começa em meio ao fim dos movimentos populares e com a hegemonia das marcas, televisão e produtos/ marcas/ sonhos de consumo. Um tênis é tão desejado que pode resultar em morte durante um assalto. Vidas valem nada mais que produtos manufaturados. Alguns deles, feitos por crianças na Ásia.
Vivemos de tudo. A esperança religiosa sucumbiu mediante o desvio dos homens. Cruzadas, guerras santas no Oriente Médio e várias outras batalhas, apenas semearam discórdia e mortes. O anarquismo também sucumbiu mediante aos homens. Teve no Brasil uma sociedade utópica com a Colônia Cecília, traída pelo dinheiro, apenas para citar um exemplo.
Regimes socialistas, principalmente os do leste Europeu, se construíram focados no Estado e não nas pessoas. Hugo Chavez parece seguir pelo mesmo caminho na Venezuela. A ciência criou pesticidas para ajudar o controle de pragas na lavoura e anos mais tarde descobriu que os mesmos são cancerígenos. Criou leite para substituir o materno e anos mais tarde reconheceu que a novidade contribuiria para um crescimento disforme e até mesmo poderia causar morte. Religião e ciência falharam e muito.
O mundo herda o estilo Ronald Reagan. Um ator medíocre que aprendeu a mentir em Hollywood e foi eleito pelas câmeras de televisão presidente dos Estados Unidos na década de 80. Assim como Arnold Schwarzenegger (outro republicano) chegou ao governo da Califórnia. No Brasil não podemos falar muito. Um ex-modelo da Dior foi eleito Presidente do país: Fernando Collor de Mello. Chegou e foi retirado do poder pela televisão.
O totem eletrônico está em quase todas as casas vendendo luxo, riqueza e poder. Controladas por pequenos grupos em todo o mundo, dita as regras e mata valores assim como impõe o consumo. Invade casas de quase todos os habitantes do planeta recheada de propaganda. Impõe desejos de consumo, consumo, consumo. Ninguém mais precisa ter conteúdo, mas sim uma marca de tênis ou outra de MP3 player.
Vivemos a era do descartável, onde a comida é fast food, os móveis modulares e sem resistência e as roupas trocam a cada mês num desenfreado desespero por vender. Até as pessoas se usam por um dia e se jogam fora. Conteúdo para quê?
Já tentamos de tudo? A juventude do século XXI não tem espelho em que se mirar. Vive a inconseqüência da felicidade material e cada dia mata mais por nada. Falar de política ou discutir algo inteligente virou sinônimo de chatice. Exercer o voto é ato para apenas uma vez, quando chega à eleição. Depois disso, não se precisa acompanhar, protestar, exigir por uma vida melhor.
Se a vida está assim, por que escutar músicas de protesto, que não trazem nada de material e proclamam uma vida “utópica”? Porque no mundo, muita coisa ainda está errada. Sem luta, resistência e pensamentos, seremos cada vez mais condenados a viver da esperança televisiva. Mas no mundo real, não é sempre que você vai descobrir uma herança de um tio rico. Sem informação, vontade e justiça, haverá futuro?
Olho Seco – Haverá Futuro?
Mãos estendidas
Mãos trêmulas
De um corpo fraco
Mostrando sempre a palma da mão
Haverá Futuro?
Haverá Futuro?
Olhares tristes
Corpos encardidos
Apenas observam o movimento desta vida
Haverá Futuro?
Haverá Futuro?
Houve passado
Haverá futuro
Destes que observam o movimento da vida
Haverá Futuro?
Haverá Futuro?
Dead Fish – Zero e Um
Um bom computador e um carro veloz
Pra me manter
Distante de mim
No amplo progresso entre zero e um
Esconder em você meus erros
Pensar sim, dizer o não
Quanto mais perto mais distante do que sou
Vou mentir
Exagerar
Essa verdade já não tem tanto valor
Deletar
O que realmente sinto e posso acreditar
Programar
Uma nova linguaguem em que possa me adequar
Sem cores decadentes
Sem nenhum arranhão
Um brilho nos dentes
E um vazio no ar
E não há mais retorno com o que vai acontecer
Já foi tudo planejado inexorável proteção
Eu sei que você aceita como eu já aceitei
Mais um anúncio em nosso caos
Deletar
O que realmente sinto e posso acreditar
Programar
Uma nova linguaguem em que possa me adequar
27 de Novembro de 2007
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