
A volta do fascismo e o crescimento dos movimentos de extrema direita na Europa estão cada vez mais fortes. Mas é na Suíça, país teoricamente neutro, onde a publicidade xenófoba ganha mais força e visibilidade. As eleições parlamentares acontecem em 21 de outubro e pelas ruas das principais cidades estão espalhados os cartazes do SVP, ou, Partido do Povo Suíço.
O movimento contra estrangeiros é tão forte que até mesmo a ONU já fez uma denúncia pública de racismo. O historiador francês Jacques Julliard escreveu em 1994 o livro O Fascismo Está Voltando?”. Explorou a Guerra da Iugoslávia para exemplificar a queda do comunismo e a crise do capitalismo. Quase uma década e meia depois, a revelação surge em meio a parques, ursos e a aparente calmaria suíça.
As eleições parlamentares acontecem em 21 de outubro e pelas ruas das principais cidades estão espalhados os cartazes do SVP, ou, Partido do Povo Suíço. No mais visual deles, três ovelhas brancas expulsam uma ovelha negra de uma faixa para outra. De acordo com a revista alemã Der Spiegel, o NDP (partido de extrema direita da Alemanha) já adaptou o cartaz para as próximas eleições em seu país.
Outro cartaz do partido, diz “fora estrangeiros”, no mais perfeito dialeto “suíço-alemão”. Eles estão por todo o centro de Zurique e também da Capital, Berna. Basta uma caminhada de cinco minutos pelo centro de duas das principais cidades do país que você irá se deparar com alguma campanha xenófoba do SVP, que tem como candidato o atual ministro da Justiça Cristoph Blocher. “É um partido rico, espalham a publicidade por terem muita verba”, explica a jurista Judith Grasbawn, 28, moradora de Zurique. “Isso também não quer dizer que o povo suíço concorde com isso”, reforça.
A afirmação ganha coro do marido e brasileiro, o músico Antônio Andrade Marreco, 27: “Moro há cerca de um ano na Suíça e nunca tive problemas por ser brasileiro ou estrangeiro”, disse. Carlos Wort, 25, brasileiro e estudante na cidade de Berna, reforça: “É difícil quando você não conhece muito a língua, mas eles sempre tratam bem o estrangeiro”.
A realidade pode não refletir a publicidade presente nas ruas, mas para um estrangeiro andar em meio à tanta comunicação xenófoba é, no mínimo, curioso. De um lado, a segurança é absoluta - Luciano Huck poderia tranquilamente desfilar com seu Rolex sem o risco de ser furtado. Tudo na Suíça é tão organizado que até mesmo há filas para subir no palco e saltar sobre a multidão em shows de rock, só para citar um exemplo. Mas há a opressão de cartazes como os do SVP. Uma rara mescla de segurança física com violência metal ao ar livre. Em cada esquina.
O voto suíço é diferente. O cidadão cadastrado recebe um sem número de informações via correio. Ali, ele assinala os candidatos de que gosta e devolve o pacote da mesma maneira que chegou. Não há um dia de eleições onde todos param e se locomovem até um ponto específico. De casa, tudo pode ser resolvido. Fraude é algo que não cabe na organização ou educação do pequeno país.
Vai prevalecer a propaganda ou a educação do povo? Somente os resultados da eleição, no próximo dia 21, poderão revelar.
10 de Outubro de 2007
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