sábado, 28 de fevereiro de 2009

Não deixem o Garotinho morrer de fome

O ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato à presidência da república pelo PMDB, Anthony Garotinho, consegue levar o seu sobrenome às últimas conseqüências. Esta semana, revoltado com denúncias da imprensa de irregularidades na sua corrida pelo posto mais alto da política nacional, iniciou uma greve de fome. Ele diz que estaria disposto a ir até o fim - “morrer e salvar sua honra” – se não fosse atendido. Ele exige possibilidade de retratação na imprensa e instituição de uma supervisão internacional no processo político-eleitoral brasileiro. Até onde o rechonchudo político carioca chegará?

Garotinho conseguiu criar um factóide e desviar a atenção para as denúncias em sua campanha. Hoje, ao invés de falar dos desvios, do envolvimento do político com pessoas de pouca confiança e de outras peripécias, todos focam simplesmente no seu estado de saúde. E apostam até quanto ele consegue ficar sem comer! Daqui a pouco, além do bolão da copa, teremos o bolão Garotinho. Algumas rádios em SP já começam a ironizar a situação. Realmente, este é o país da piada pronta.

Imagino Garotinho como presidente da república. Após a crise de pânico passar, penso nas suas reações se ocupasse o cargo quando enfrentasse problemas. Mais pânico.

Ele e Roberto Jefferson são espertos e inteligentes. Acusações sem provas, greves de fome e demais atuações dignas de Oscar acabam por desviar o foco. Se fosse assim, com certeza uma greve de fome do presidente Lula resolveria o problema do gás com a Bolívia, o problema de distribuição de renda e, quem sabe, até mesmo o problema do caótico sistema de saúde do estado Fluminense, que nosso intrépido político com sobrenome de criança e sua esposa governam há um bom tempo.

Ele luta sozinho numa batalha onde é herói da causa própria. Seus métodos não são claros e não produzem respostas. Falem mal ou bem, mas falem de mim pode funcionar com seus amigos, comendo merenda no recreio, mas não para conseguir se eleger e muito menos para governar o país.

Pensando como ele, imaginem os membros do PT todos fazendo greve de fome antes de serem cassados ou exonerados de seus cargos? E os restaurantes freqüentados por políticos em Brasília? Fechariam as portas?

Sabe por que tudo isso? Veículos de comunicação de diversos grupos noticiaram possíveis irregularidades na pré-campanha do pré-candidato do PMDB que parece estar no pré-primário. Dentre elas, aparecem empresas doadoras de verba para a sua campanha que apresentaram endereços falsos para a Receita Federal. As denúncias da mídia também apontam que o assaltante José Onésio Rodrigues Ferreira, 33 anos, atualmente morador residente do complexo penitenciário de Bangu, seria sócio de uma das empresas que doaram verbas para a campanha do ex-governador.

Estes são apenas dois exemplos e se você não mora em Marte, com uma rápida pesquisa em qualquer jornal, poderá conseguir mais informações.

O fato é que Garotinho conseguiu espaço na mídia. Ao invés de tentar provar sua honestidade, mostrou um descontrole emocional. No lugar de greve de fome, as pessoas esperam provas de sua inocência.

As eleições presidenciais se aproximam. Escândalos como este se repetirão algumas vezes. Cabe a você e a todos os eleitores pensarem, pensarem e, mais uma vez, pensarem. Garotinho pode estar certo. As denúncias podem ter sido inventadas. Mas será que um postulante a presidente do maior país da América Latina deve reagir com greve de fome? Isso mostra o líder que o país precisa? As urnas darão as respostas e boa sorte para todos os brasileiros.

3 de Maio de 2006

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