quinta-feira, 9 de abril de 2009

Dos Alpes aos Andes, driblando a recessão


Por João Veloso Jr.

As cidades de Genebra, na Suíça e a “pequena Veneza”, Annecy, na França, são separadas apenas por uma fronteira e 75km de estrada. Possuem moedas e governos diferentes, fazendo a vida de quem mora em uma localidade e, trabalha na outra, seja um pouco mais complicada. Geograficamente, estão situadas nos Alpes. Em ambas, o idioma corrente é o francês, língua também comum em parte da Suíça. Juntas, também sentem e temem a crise mundial.

O frio chega a menos dois graus no começo de março e parece dar um ar mais triste. A mídia é factual e direta. Notícias sobre bolsas em queda, fundos de pensão ameaçados de quebra, desemprego e crise. As pessoas acompanham o pensamento. Algumas, até mesmo afirmam que o clima é o mesmo do pós-guerra. Curiosamente, este estado de recessão no velho mundo é novamente criado pelos Estados Unidos. Desta vez, não pela vitória bélica, mas sim com a quebra de seus bancos, investidores e empresas.

Nas rádios, a cantora francesa Camille domina as estações. Suas músicas parecem ser uma das poucas coisas que fazem os europeus desta região sorrirem. E a esperança que a primavera venha a renovar as esperanças. Não há policia nas ruas e nem por isso você se sente inseguro ou ameaçado. Mesmo que faça uma caminhada por um parque ao anoitecer.

Do outro lado do Atlântico, temos outra cidade localizada no topo do mundo. Em Bogotá, capital da Colômbia, alguns pontos estão a 3250 metros de altura do nível do mar. O espanhol, carregado de expressões locais, como acontece na maioria dos países da America Latina, parece ser mais feliz que o francês de suas companheiras de altitude do lado europeu. Há retração de mercado e aumento de desemprego. Assim como na Europa, o governo interveio para salvar os bancos. Mas e a crise?

A temperatura constante – quase que eternamente entre 8 e 25 graus - parece ajudar a confiança dos Bogotanos. Eles parecem não se importar com a crise. Muitos dizem ironicamente que, no país, a crise não é sentida porque sempre estiveram em crise. A imprensa evidencia investimentos, criação de empregos, celebra as boas ações. Os Estados Unidos, que passaram a investir ali para conter o avanço das drogas no mundo, não parecem ter atingido tanto o país localizado no norte da America do Sul com seus atuais problemas econômicos.

Nas rádios, Fonseca, Mauricio & Palodeagua tocam musica latina. Pra cima, feliz, daquelas que muita gente já começa a mexer o ombro e nem sabe o porquê. Até mesmo o som mais lounge do sidestepper parece fazer os colombianos dançarem felizes. Eles fazem com música colombiana a fusão que o Gothan Project e o Bajo Fondo fizeram com o Tango e influências eletrônicas. O exército está presente garantindo a segurança de todos. Com tanta gente armada, nem mesmo o shopping parece ser seguro. Mas é. A quantidade de gente vendendo coisas nas ruas de centros comerciais ajuda a lembrar que se está na America do Sul.

Hotéis similares nessas regiões também enfrentam queda na ocupação de seus quartos. Os 5% registrados na Europa são revelados com preocupação pela gerente do lugar. A baixa em Bogotá é a mesma, mas esta é celebrada, não sendo tão grande como em outros tempos de problemas com a economia.

Genebra, Anecy e Bogotá estão no topo do mundo e enfrentam a recessão global. Cada uma à sua maneira. E no Brasil, há crise?

João Veloso Jr. (joaovelosojr@gmail.com), 32 para 33 anos, é jornalista e mensalmente divide devaneios aqui. “Mis patos tristes” segue uma das melhores coisas que comeu na vida. Aguardem, em breve no Rio de Janeiro!!!