
Simplesmente não haveria mercado se todos seguissem Medicina, Engenharia ou até mesmo Jornalismo. Não há como julgar o que é bom ou ruim de uma profissão e todas são necessárias para compor um contexto geral. Nem mesmo um CEO trabalharia sem alguém que o ajudasse com limpeza ou sua agenda, dentre outras tarefas cotidianas.
Independente da carreira escolhida, alguns aspectos curiosos irão acompanhar o profissional durante toda sua vida. Pior que praga de cigano! Um bom exemplo é o de uma amiga formada em Relações Públicas (RP) há cerca de 15 anos. Aline, vamos chamá-la assim, tenta até hoje, sem sucesso, explicar seu trabalho para a família. “Já tentei de tudo, mas até hoje minha avó acha que sou uma espécie de secretária de luxo”, diz. Em suma, os RPs ofertam uma variedade de funções a serem exercidas para as diversas organizações (sejam elas privadas, públicas ou do terceiro setor), sempre com vistas à manutenção do equilíbrio entre estas e os públicos com os quais interagem. Entendeu? Não? Busca no google ou pergunte pra algum amigo RP!
Há trabalhos que não trazem glamour ou visibilidade como RP. Se você reclama de seu trabalho, não pode esquecer-se do já famoso “pior emprego do mundo”. Mohamed Binatang Concang é a personificação do termo. Ele é funcionário do banco de esperma do zoológico de Cingapura, ou, num português mais direto, o “masturbador oficial” dos animais. Será que neste caso, ele tenta explicar para avó o que faz? Até mesmo o limpador de dejetos do zoológico deve ficar feliz quando imagina que seu trabalho poderia ser pior. Será que alguma criança já sonhou em trabalhar com esperma ou merda?
Acho constrangedor entrar em um elevador e ser ajudado. Alguém tem problemas em apertar botões? Sensação de porco da índia em festa junina, que não sabe em qual das casas entrar, ou, no caso, qual dos botões apertar? Mas talvez isso não seja tão fácil, afinal, até mesmo cursos são necessários. Descobri isso por acidente, numa conversa com Jacira, ascensorista do elevador de uma empresa de comunicação onde trabalhei em Santos, litoral de SP. “Não sei se você gosta da ascensorista da parte da manhã, mas nem curso pra operar o elevador ela tem”, me confessou em uma das viagens que fiz.
Muitas de suas prosas começavam comigo e seguiam, do mesmo ponto onde pararam, com o passageiro seguinte. Que sempre ficava com cara de interrogação. Confesso que não me interessei pela antipatia entre colegas, mas sim em saber o que se aprende neste curso. A formação oferecida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de São Paulo (Sindifícios) mostra, entre outras coisas, o funcionamento do sistema de elevadores, o papel do ascensorista, a comunicação e os primeiros socorros. O programa aborda ainda segurança, saúde, previdência social, acidente de trabalho, legislação, constituição e ambiente de trabalho.
Estudo? Esta vida de altos e baixos confina uma pessoa a ficar 44 horas por semana trancada num cubículo de cerca de dois metros quadrados, sem janelas e convivendo com pessoas por no máximo um minuto. O dinheiro pago a um profissional desta área não poderia ser uma bolsa para que a pessoa estudasse ao invés de fazer uma tarefa repetitiva e desnecessária? Acho mais um retrocesso do que sucesso de empregabilidade. Uma bolsa de estudos no valor pago seria, sem dúvida nenhuma, muito mais funcional e proveitosa. E ainda não precisaria ouvir “tio, aperta o vinte” ou “pede pra sair” todos os dias. Infelizmente, o ascensorista acaba apenas por zelar pelo patrimônio dos edifícios e evitar vandalismo ou depredações.
Há ainda o astronauta brasileiro, Marcos Pontes. Milhões de Reais investidos para ele ir ao espaço plantar feijão em um pote de Danoninho. Lembro que fiz isso na escola e acredito que tenha saído mais barato para meus pais do que para o governo brasileiro. Pelos impostos, meus pais financiaram ambos. Provavelmente, caro leitor, os seus também. A esta altura, já devíamos ter uma fazenda de feijões plantados em copos de iogurte. Vai dizer que você não ficava ansioso esperando eles brotarem?
Pior os que pensam que farão Jornalismo e mudarão o mundo. Ignorando todas as aulas de Filosofia, Antropologia e todas as outras ias, sem ler ao menos um livro por bimestre que não seja obrigatório e sonhando apenas com o quarto poder. Socorro!
Seja qual for o trabalho, ele deveria servir para adquirir riquezas e auto-estima. Ainda mais porque ele dá um sobrenome para todos. O trabalho enobrece o homem até que ponto? No mundo em que vivemos não existe emprego bom ou ruim, mas falta respeito humano. De certo, reflita mais antes de achar a sua atividade como a pior do mundo.
Agradeça por seu chefe e todas as segundas-feiras.
29 de Fevereiro de 2008







