sábado, 28 de fevereiro de 2009

Labuta


Simplesmente não haveria mercado se todos seguissem Medicina, Engenharia ou até mesmo Jornalismo. Não há como julgar o que é bom ou ruim de uma profissão e todas são necessárias para compor um contexto geral. Nem mesmo um CEO trabalharia sem alguém que o ajudasse com limpeza ou sua agenda, dentre outras tarefas cotidianas.

Independente da carreira escolhida, alguns aspectos curiosos irão acompanhar o profissional durante toda sua vida. Pior que praga de cigano! Um bom exemplo é o de uma amiga formada em Relações Públicas (RP) há cerca de 15 anos. Aline, vamos chamá-la assim, tenta até hoje, sem sucesso, explicar seu trabalho para a família. “Já tentei de tudo, mas até hoje minha avó acha que sou uma espécie de secretária de luxo”, diz. Em suma, os RPs ofertam uma variedade de funções a serem exercidas para as diversas organizações (sejam elas privadas, públicas ou do terceiro setor), sempre com vistas à manutenção do equilíbrio entre estas e os públicos com os quais interagem. Entendeu? Não? Busca no google ou pergunte pra algum amigo RP!

Há trabalhos que não trazem glamour ou visibilidade como RP. Se você reclama de seu trabalho, não pode esquecer-se do já famoso “pior emprego do mundo”. Mohamed Binatang Concang é a personificação do termo. Ele é funcionário do banco de esperma do zoológico de Cingapura, ou, num português mais direto, o “masturbador oficial” dos animais. Será que neste caso, ele tenta explicar para avó o que faz? Até mesmo o limpador de dejetos do zoológico deve ficar feliz quando imagina que seu trabalho poderia ser pior. Será que alguma criança já sonhou em trabalhar com esperma ou merda?

Acho constrangedor entrar em um elevador e ser ajudado. Alguém tem problemas em apertar botões? Sensação de porco da índia em festa junina, que não sabe em qual das casas entrar, ou, no caso, qual dos botões apertar? Mas talvez isso não seja tão fácil, afinal, até mesmo cursos são necessários. Descobri isso por acidente, numa conversa com Jacira, ascensorista do elevador de uma empresa de comunicação onde trabalhei em Santos, litoral de SP. “Não sei se você gosta da ascensorista da parte da manhã, mas nem curso pra operar o elevador ela tem”, me confessou em uma das viagens que fiz.

Muitas de suas prosas começavam comigo e seguiam, do mesmo ponto onde pararam, com o passageiro seguinte. Que sempre ficava com cara de interrogação. Confesso que não me interessei pela antipatia entre colegas, mas sim em saber o que se aprende neste curso. A formação oferecida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de São Paulo (Sindifícios) mostra, entre outras coisas, o funcionamento do sistema de elevadores, o papel do ascensorista, a comunicação e os primeiros socorros. O programa aborda ainda segurança, saúde, previdência social, acidente de trabalho, legislação, constituição e ambiente de trabalho.

Estudo? Esta vida de altos e baixos confina uma pessoa a ficar 44 horas por semana trancada num cubículo de cerca de dois metros quadrados, sem janelas e convivendo com pessoas por no máximo um minuto. O dinheiro pago a um profissional desta área não poderia ser uma bolsa para que a pessoa estudasse ao invés de fazer uma tarefa repetitiva e desnecessária? Acho mais um retrocesso do que sucesso de empregabilidade. Uma bolsa de estudos no valor pago seria, sem dúvida nenhuma, muito mais funcional e proveitosa. E ainda não precisaria ouvir “tio, aperta o vinte” ou “pede pra sair” todos os dias. Infelizmente, o ascensorista acaba apenas por zelar pelo patrimônio dos edifícios e evitar vandalismo ou depredações.

Há ainda o astronauta brasileiro, Marcos Pontes. Milhões de Reais investidos para ele ir ao espaço plantar feijão em um pote de Danoninho. Lembro que fiz isso na escola e acredito que tenha saído mais barato para meus pais do que para o governo brasileiro. Pelos impostos, meus pais financiaram ambos. Provavelmente, caro leitor, os seus também. A esta altura, já devíamos ter uma fazenda de feijões plantados em copos de iogurte. Vai dizer que você não ficava ansioso esperando eles brotarem?

Pior os que pensam que farão Jornalismo e mudarão o mundo. Ignorando todas as aulas de Filosofia, Antropologia e todas as outras ias, sem ler ao menos um livro por bimestre que não seja obrigatório e sonhando apenas com o quarto poder. Socorro!

Seja qual for o trabalho, ele deveria servir para adquirir riquezas e auto-estima. Ainda mais porque ele dá um sobrenome para todos. O trabalho enobrece o homem até que ponto? No mundo em que vivemos não existe emprego bom ou ruim, mas falta respeito humano. De certo, reflita mais antes de achar a sua atividade como a pior do mundo.

Agradeça por seu chefe e todas as segundas-feiras.

29 de Fevereiro de 2008

Haverá Futuro?


“Deus está morto e Marx também. Nem eu já me sinto muito bem”. A frase de Woody Allen pode ser compreendida de várias maneiras. Uma das leituras pode ser aplicada ao desenvolvimento da História. Parece que tentamos de tudo e apenas a injustiça saiu vencedora. A esperança se foi? Junto com ela os ideais de lutar por um mundo melhor e uma sociedade mais justa?

O século XX começou em meio a revoluções de preocupação com o povo e seu bem estar. Já o século XXI começa em meio ao fim dos movimentos populares e com a hegemonia das marcas, televisão e produtos/ marcas/ sonhos de consumo. Um tênis é tão desejado que pode resultar em morte durante um assalto. Vidas valem nada mais que produtos manufaturados. Alguns deles, feitos por crianças na Ásia.

Vivemos de tudo. A esperança religiosa sucumbiu mediante o desvio dos homens. Cruzadas, guerras santas no Oriente Médio e várias outras batalhas, apenas semearam discórdia e mortes. O anarquismo também sucumbiu mediante aos homens. Teve no Brasil uma sociedade utópica com a Colônia Cecília, traída pelo dinheiro, apenas para citar um exemplo.

Regimes socialistas, principalmente os do leste Europeu, se construíram focados no Estado e não nas pessoas. Hugo Chavez parece seguir pelo mesmo caminho na Venezuela. A ciência criou pesticidas para ajudar o controle de pragas na lavoura e anos mais tarde descobriu que os mesmos são cancerígenos. Criou leite para substituir o materno e anos mais tarde reconheceu que a novidade contribuiria para um crescimento disforme e até mesmo poderia causar morte. Religião e ciência falharam e muito.

O mundo herda o estilo Ronald Reagan. Um ator medíocre que aprendeu a mentir em Hollywood e foi eleito pelas câmeras de televisão presidente dos Estados Unidos na década de 80. Assim como Arnold Schwarzenegger (outro republicano) chegou ao governo da Califórnia. No Brasil não podemos falar muito. Um ex-modelo da Dior foi eleito Presidente do país: Fernando Collor de Mello. Chegou e foi retirado do poder pela televisão.

O totem eletrônico está em quase todas as casas vendendo luxo, riqueza e poder. Controladas por pequenos grupos em todo o mundo, dita as regras e mata valores assim como impõe o consumo. Invade casas de quase todos os habitantes do planeta recheada de propaganda. Impõe desejos de consumo, consumo, consumo. Ninguém mais precisa ter conteúdo, mas sim uma marca de tênis ou outra de MP3 player.

Vivemos a era do descartável, onde a comida é fast food, os móveis modulares e sem resistência e as roupas trocam a cada mês num desenfreado desespero por vender. Até as pessoas se usam por um dia e se jogam fora. Conteúdo para quê?

Já tentamos de tudo? A juventude do século XXI não tem espelho em que se mirar. Vive a inconseqüência da felicidade material e cada dia mata mais por nada. Falar de política ou discutir algo inteligente virou sinônimo de chatice. Exercer o voto é ato para apenas uma vez, quando chega à eleição. Depois disso, não se precisa acompanhar, protestar, exigir por uma vida melhor.

Se a vida está assim, por que escutar músicas de protesto, que não trazem nada de material e proclamam uma vida “utópica”? Porque no mundo, muita coisa ainda está errada. Sem luta, resistência e pensamentos, seremos cada vez mais condenados a viver da esperança televisiva. Mas no mundo real, não é sempre que você vai descobrir uma herança de um tio rico. Sem informação, vontade e justiça, haverá futuro?

Olho Seco – Haverá Futuro?

Mãos estendidas
Mãos trêmulas
De um corpo fraco
Mostrando sempre a palma da mão
Haverá Futuro?
Haverá Futuro?
Olhares tristes
Corpos encardidos
Apenas observam o movimento desta vida
Haverá Futuro?
Haverá Futuro?
Houve passado
Haverá futuro
Destes que observam o movimento da vida
Haverá Futuro?
Haverá Futuro?


Dead Fish – Zero e Um

Um bom computador e um carro veloz
Pra me manter
Distante de mim
No amplo progresso entre zero e um
Esconder em você meus erros
Pensar sim, dizer o não
Quanto mais perto mais distante do que sou
Vou mentir
Exagerar
Essa verdade já não tem tanto valor

Deletar
O que realmente sinto e posso acreditar
Programar
Uma nova linguaguem em que possa me adequar

Sem cores decadentes
Sem nenhum arranhão
Um brilho nos dentes
E um vazio no ar
E não há mais retorno com o que vai acontecer
Já foi tudo planejado inexorável proteção
Eu sei que você aceita como eu já aceitei
Mais um anúncio em nosso caos

Deletar
O que realmente sinto e posso acreditar
Programar
Uma nova linguaguem em que possa me adequar

27 de Novembro de 2007

Punks matam em São Paulo?


O que é punk pra você? O termo foi usado pela primeira vez em meados da década de 60. "A primeira vez que escutei a palavra punk foi em 73, pra definir as pessoas que usavam roupas velhas, rasgadas e que estavam nos shows do New York Dolls", diz Mikel Board, colunista da Maximum Rock’n’Roll, um dos fanzines mais respeitados do mundo sobre o tema.

Movimento de contracultura? Estilo musical ou de vida? Para Marcos, guitarrista da banda Agrotóxico é isso e mais um pouco: “Um estilo de vida autônomo e libertário associado com um gênero musical alternativo e independente”. Mas afinal, se ele nasceu como movimento cultural e virou estilo de vida libertário, como explicar tantas brigas, roubos e assassinatos causados por punks e tão explorados pela mídia recentemente?

Para o pesquisador Carlos Venezysky, doutor em movimentos de Contracultura pela Universidade de Viena, o termo punk extrapolou conceitos. “O punk existe dentro de uma cena fechada, mas o termo foi totalmente engolido pelo capitalismo e qualquer adolescente se diz punk para se mostrar jovem e rebelde”, explica. “Para ‘a mídia’, é algo violento, sujo e com nenhuma relação aos movimentos que levaram a forjar o termo”, complementa e ainda dispara: “é muito parecido com a deturpação para se falar em anarquismo, afinal, o que era para designar autogestão, virou sinônimo de baderna”.

Explicações à parte, desde o começo do mês, “punks” estão relacionados a assassinatos, roubos e brigas de gangues em São Paulo. Segundo notícias vinculadas na imprensa, mataram um ajudante de quiosque no Parque Dom Pedro (Folha de S. Paulo, 14/10). Segundo informações levantadas pela polícia, o assassinato ocorreu porque um casal “punk” queria sair sem pagar uma pizza encomendada. Roubo é punk?

Há também a notícia de uma briga entre integrantes do “movimento” com skinheads (Folha de S. Paulo, 23/10). Brigas assim acontecem desde a década de 70. Ideais libertários de um lado e de nacionalismo e segregação do outro. Violência é punk?

O que mais chamou a atenção (inclusive serviu de tema para um debate na Rede Record de televisão na madrugada de 23 de outubro) foi o espancamento de um adolescente por outras 20 pessoas que, claro, se denominavam punks. Dentre estes, alguns tinham nos bolsos flyers e folhetos de um encontro do movimento dia 11 de novembro, no teatro municipal (?). Eles estavam saindo de um show no Hangar 110 e, além do ato covarde, ainda roubaram o tênis da vítima, que segue internada em um hospital. Espancar e roubar são atitudes punk?

Pobre do Hangar, monumento da cultura paulistana, casa que sempre abriu suas portas e ajudou bandas a se desenvolverem no país. Viu seu nome refletido em vários lugares sem ter a culpa de nada. Até porque o incidente ocorreu a duas estações do metrô de distância. Deturpar e prejudicar alguém é punk?

“Tudo era mais simples quando o punk era algo pequeno, quando as pessoas se preocupavam com mensagens de mudanças, paz e com a cultura em si”, diz Jay Bentley, baixista do Bad Religion. “Punk pra mim é meu pai, que trabalhou a vida inteira pra ganhar pouco e depois de aposentado ainda recebe uma merda de salário”, diz Brek, baterista do Mukeka di Rato.

O punk começou na sarjeta, foi rotulado e roubado por bandas que atingiram o mainstream na década de 90 e hoje, assim como foi na década de 80, se perde entre violência sem sentido e jovens estereotipados que se escondem atrás de gangues para suprir alguma carência. E pra você, o que é punk?

23 de Outubro de 2007

O fascismo está voltando


A volta do fascismo e o crescimento dos movimentos de extrema direita na Europa estão cada vez mais fortes. Mas é na Suíça, país teoricamente neutro, onde a publicidade xenófoba ganha mais força e visibilidade. As eleições parlamentares acontecem em 21 de outubro e pelas ruas das principais cidades estão espalhados os cartazes do SVP, ou, Partido do Povo Suíço.

O movimento contra estrangeiros é tão forte que até mesmo a ONU já fez uma denúncia pública de racismo. O historiador francês Jacques Julliard escreveu em 1994 o livro O Fascismo Está Voltando?”. Explorou a Guerra da Iugoslávia para exemplificar a queda do comunismo e a crise do capitalismo. Quase uma década e meia depois, a revelação surge em meio a parques, ursos e a aparente calmaria suíça.

As eleições parlamentares acontecem em 21 de outubro e pelas ruas das principais cidades estão espalhados os cartazes do SVP, ou, Partido do Povo Suíço. No mais visual deles, três ovelhas brancas expulsam uma ovelha negra de uma faixa para outra. De acordo com a revista alemã Der Spiegel, o NDP (partido de extrema direita da Alemanha) já adaptou o cartaz para as próximas eleições em seu país.

Outro cartaz do partido, diz “fora estrangeiros”, no mais perfeito dialeto “suíço-alemão”. Eles estão por todo o centro de Zurique e também da Capital, Berna. Basta uma caminhada de cinco minutos pelo centro de duas das principais cidades do país que você irá se deparar com alguma campanha xenófoba do SVP, que tem como candidato o atual ministro da Justiça Cristoph Blocher. “É um partido rico, espalham a publicidade por terem muita verba”, explica a jurista Judith Grasbawn, 28, moradora de Zurique. “Isso também não quer dizer que o povo suíço concorde com isso”, reforça.

A afirmação ganha coro do marido e brasileiro, o músico Antônio Andrade Marreco, 27: “Moro há cerca de um ano na Suíça e nunca tive problemas por ser brasileiro ou estrangeiro”, disse. Carlos Wort, 25, brasileiro e estudante na cidade de Berna, reforça: “É difícil quando você não conhece muito a língua, mas eles sempre tratam bem o estrangeiro”.

A realidade pode não refletir a publicidade presente nas ruas, mas para um estrangeiro andar em meio à tanta comunicação xenófoba é, no mínimo, curioso. De um lado, a segurança é absoluta - Luciano Huck poderia tranquilamente desfilar com seu Rolex sem o risco de ser furtado. Tudo na Suíça é tão organizado que até mesmo há filas para subir no palco e saltar sobre a multidão em shows de rock, só para citar um exemplo. Mas há a opressão de cartazes como os do SVP. Uma rara mescla de segurança física com violência metal ao ar livre. Em cada esquina.

O voto suíço é diferente. O cidadão cadastrado recebe um sem número de informações via correio. Ali, ele assinala os candidatos de que gosta e devolve o pacote da mesma maneira que chegou. Não há um dia de eleições onde todos param e se locomovem até um ponto específico. De casa, tudo pode ser resolvido. Fraude é algo que não cabe na organização ou educação do pequeno país.

Vai prevalecer a propaganda ou a educação do povo? Somente os resultados da eleição, no próximo dia 21, poderão revelar.

10 de Outubro de 2007

Heloíse Helena sem dente num país de banguelas



A Senadora e presidente do PSOL, Heloísa Helena (AL), perdeu um dente ao vivo durante debate em programa de TV. No Brasil, cerca de 16% da população nunca foi ao dentista. São quase 30 milhões de brasileiros.

A Senadora Heloísa Helena, Presidente do PSOL (AL), ficou famosa por rachar com o PT e defender ideais esquecidos pela esquerda brasileira. Ao que tudo indica, é uma representante rara da vida política brasileira. Você pode ou não concordar com ela. Mas concordamos que vive conforme o que prega no plenário. Não possui duas caras e sim uma transparência rara na vida política atual.

Heloísa representa muitos pobres e pessoas abaixo da linha de pobreza. Acredita em seus ideais e os defende quase que cegamente. Na última quinta-feira, 23 de agosto, ao participar de um debate no Opinião Nacional (TV Cultura), perdeu um dente enquanto falava. No meio do discurso, um ponto branco pulou de sua boca. Heloísa a cobriu com as mãos e não parou de falar. Tudo como se nada tivesse acontecido.

Quase nada também acontece em termos de saúde odontológica para quase 30 milhões de brasileiros. Seu único acesso à saúde bucal são os quase R$ 30 milhões investidos pelo Ministério da Saúde para tratamento de flúor com a água distribuída pelo serviço público.

Uma pesquisa da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontou ainda que 31% das pessoas com rendimento familiar mensal de até um salário mínimo, nunca fizeram uma consulta com o dentista. Estes dados de 2003 são um pouco melhores que os da pesquisa anterior, feita em 98. Naquele tempo, 18,7% dos brasileiros entrevistados nunca tinham entrado num consultório odontológico.

Enquanto as novas pesquisas não são divulgadas, Heloísa Helena fica sem Dentes num país de banguelas. Mais do que nunca, reflete exatamente a saúde bucal do brasileiro padrão.

26 de Agosto de 2007

Punk rock, música, protesto e comida


Lifetime volta com disco novo – a banda de New Jersey consegue resgatar boa parte da razão pela qual se tornou uma das principais de hardcore independente do fim da década passada: vocais agressivos e melódicos, com letras simples, músicas rápidas e ainda mais melódicas. É daqueles CDs que você clica no play e sai pulando! São 11 músicas, destacando “Airport Monday Morning” e “Haircuts and T Shirts”.

Lifetime II – a missão
Se você gosta de música, sabe que poucas coisas na vida são tão boas quanto um bom disco novo. Fazia tempo que um CD não me chamava tanta atenção. Todas as músicas são boas e não um hit seguido por uma coleção de temas descartáveis. Com a mp3, parece que a maioria das bandas tem apenas uma ou outra música boa. A era do single mostra que tudo está cada vez mais descartável.

Caos aéreo
São Paulo parava com a chuva. Poucos carros se moviam. Agora, a água celestial também pára o aeroporto. Precisou um acidente e 200 vidas para que se falasse de um trem ligando Guarulhos ao centro da cidade, para que falassem que Congonhas é um aeroporto super lotado? E assim põe os viajantes e a população que mora ao redor em risco? Na parada gay foram mais de um milhão a fechar a Paulista. No protesto contra um acidente previsível e absurdo, pouco mais de quatro mil paulistanos se uniram. Afinal, a culpa é de quem?

Agroboys na Europa
Agrotóxico, veterana banda punk da capital paulistana, está de malas prontas para outra turnê européia no segundo semestre! Em tempo: o novo disco da banda, primeiro com o guitarrista Arthur (Flicts), sai em breve. Escutei uma faixa com a participação de integrantes do Lobotomia - se o disco inteiro for assim, vai ser o melhor que já fizeram até hoje. Agressivo, pesado, hardcore de verdade - real, como alguns diriam!

Firebug grava DVD em SP
A turnê européia fez bem e agora eles mostram porque em São Paulo. A banda de música jamaicana Firebug grava nesta quinta, 2 de agosto, um vídeo que deve virar parte de um DVD. “Queremos resgatar imagens de shows antigos, com coisas que vamos começar a gravar”, comenta o baterista Rodrigo Cerqueira. Mais informações em http://www.bleeckerst.com.br/

Firebug II
Os dois discos do Firebug estão em promoção na UOL Megastore. O primeiro, com 20 faixas, está em oferta por apenas R$ 6,00. Bela pedida! http://megastore.uol.com.br/acervo/reggae/f/firebug

Faraquet no Brasil
A banda americana, com discos lançados pela Dischord, vai se juntar para shows nos Estados Unidos e no Brasil. Em setembro aportam por aqui com uma coletânea de singles inédita. Os shows nos EUA terão a formação original. No Brasil, Jeff Boswell (Smart Went Crazy) será substituído.

30 de Julho de 2007

Água!


Na ressaca, ela vem antes do Engov. Durante a ressaca, é ela - que compõe 70% do nosso corpo - que domina nossos pensamentos. A água pode acabar! Para mais informações sobre água, conheça os dez rios mais ameaçados do mundo, de acordo com a WWF. O Brasil, claro, marca presença! E você, faz alguma coisa para preservar a água? Isto é questão corporativa, governamental ou cada um precisa já fazer sua parte?


Os bons tempos estão de volta!!!

Há bandas que marcaram toda uma época. Mesmo que numa obscura e ainda crescente cena, o Safari Hamburguers conseguiu fazer um dos melhores discos do hardcore brasileiro – Good Times – em 1993. A banda voltou e acaba de lançar o CD Who’s Your Enemy Anyway?. A novidade inclui o primeiro disco de bônus! Se você curte Ignite, Bad Brains, Fugazi, Speak 718, Uniform Choice, não deixe de escutar> www.safarihamburguers.com.br


Por uma nação laica!

Gostaria de agradecer todos os e-mails enviados pra discutir a questão do aborto. Vou aproveitar aqui para responder a maioria. Sim, sou a favor da opção pela interrupção forçada de gravidez como defendi na coluna anterior. Não praticaria, mas acredito que as pessoas devem ter o direito de escolha. Cada um de acordo com suas crenças e responsabilidades. A prática já é comum e muitas adolescentes carentes morrem em clínicas clandestinas. Até mesmo em Portugal, país de tradição mais católica que o Brasil, a lei já está mais flexível. Por aqui, o presidente Lula discursa por um país laico e a prática segue “proibida”. Vamos abortar o tema por conta da ampla manifestação contrária de grupos religiosos?


Do seu bolso para o deles!

Clodovil chamou a deputada Cida Diogo de “feia”. Ela fez a cena, parou o congresso nacional e outro dia apareceu para desabafar no Superpop, programa da Rede TV! Será que com aumento de salário e os diversos benefícios pagos pelos eleitores não há mais nada importante para os dois do que esta briga pessoal? E tudo segue maravilhoso no Brasil!

17 de Maio de 2007

Igreja


O Papa Bento XVI está no Brasil. Ponto para o governo brasileiro que não aceitou alguns “pedidos” da Igreja Católica. Dentre eles, liberdade de acesso à comunidades e áreas indígenas e maior participação da Igreja nas discussões sobre o aborto.

Se há liberdade de crença na Constituição e o conceito de vida uterina é também religioso, porque não autorizar a prática no país? Direito de escolha já!

Os gastos, o luxo e a ostentação da viagem do papa Bento XVI ao Brasil estão deixando parte da Igreja Católica brasileira constrangida. No lugar do motivo original da visita - que é abrir a 5ª Conferência-Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, um megaencontro de bispos do continente, em Aparecida -, os holofotes têm sido jogados sobre as reformas milionárias dos locais onde o papa se hospedará.

Também têm sido alvo das atenções as novas 60 TVs de plasma da Basílica de Aparecida, o cálice em ouro, prata e bronze de R$ 3.500 da missa no Campo de Marte, as toalhas e os lençóis de marca bordados para Bento, a garrafa de vinho de R$ 350 no almoço papal, a cozinha do mosteiro que funcionará durante as 24 horas do dia para a comitiva do Vaticano!


Internet contra censura
Paulo César Araújo é um fã que levou anos escrevendo a biografia de Roberto Carlos. Depois de ver sua cria ser lançada, conferiu também a retirada do livro das prateleiras por conta de decisão judicial a pedido do Rei. Confesso que fiquei curioso em ler e saber o que motivou o esterno dono das noites de fim de ano na TV Globo tão furioso. Quer ler também? Baixe o livro proibido em www.escriba.org.


Inflação Punk
A Dischord vai aumentar o preço de seus discos! A gravadora americana que fez você conhecer bandas como Minor Threat, Fugazi, Dag Nasty, Jawbox, além de ser um marco cultural para todo o cenário de Washington e de Virgínia, nos Estados Unidos vai acompanhar o aumento de preços do correio nos Estados Unidos agora em maio! É a primeira vez que vão subir os preços desde 1999. Para mais informações e acesso ao mais que recomendado catálogo: www.dischord.com


Ajuda aos quadrúpedes
A Nutron Pet vai doar ração para os animais mantidos pela União Protetora dos animais de Campinas – UPA – cada vez que o site da campanha for acessado. Você pode colaborar para a alimentação e até adotar o seu quadrúpede em http://eptv.globo.com/nutron/index.htm
Não precisa fazer nada. Basta clicar no endereço acima que os cães receberão doação de rações.


Música on-line
Se você quer aproveitar a valorização do Real e completar sua coleção de músicas, uma boa pedida é o site www.emusic.com. Com cerca de R$ 22 mensais você pode baixar até 40 músicas por mês. O pagamento pode ser feito por cartão de crédito e as músicas são todas em formato MP3. Não colabore com a pirataria!


Churros na madruga!
Receita espanhola que é segredo de família e tradição de 74 anos na fabricação de churros em São Paulo! Fazendo qualquer coisa tanto tempo, é impossível não fazer direito! Este é um resumo bem básico sobre o Churros da Mooca, em São Paulo. A casa abre exclusivamente aos sábados, domingos e feriados, das 2h30 às 11h30 da manhã. Rua Dona Ana Néri, 282 – uma travessa da Rua da Mooca).

11 de Maio de 2007

Search: juntatribo2


O Junta Tribo foi um Rock in Rio caipira. Não teve Iron Maiden, Ozzy e muito menos qualquer outro grande nome da cena rock mundial. Assim como o primo rico do Rio de Janeiro, teve duas edições. A segunda aconteceu nos dias 16,17 e 18 de setembro de 2004 e acaba de ser colocada no You Tube. É um resumo de dez minutos dos shows das bandas. Câmera simples, colocada no palco e perfeita pra recriar o clima!

Não é apenas de Ci$carelli e de strip tease do Gandhi que vive o You Tube. Procure por Junta Tribo e volte no tempo. Se você nunca ouviu falar, pare e conheça. É uma chance rara de ver como muita coisa que está por aí hoje começou. Se você lembra, não deixe de postar seu testemunho!!

A década de 90 foi um período de reciclagem. O vinil não era mais fabricado no país e o CD era muito caro para os independentes. Nesta entressafra, nada melhor que colher o que havia de melhor do rock nacional no interior de São Paulo. O Festival aconteceu em duas edições, ambas na Universidade de Campinas – Unicamp.

O Garage Fuzz é uma banda santista da década de 90. O show deles foi complicado. “O Movimento punk nunca há de morrer!”. Uma confusão com punks de moicano e o GF marcou a apresentação. A banda não parou, uma música atrás da outra num show tenso! A versão que lembro da história é que protestaram porque iriam tocar “Explain”. Entenderam “Exploited”, a banda inglesa, acharam uma atitude fascista e partiram pro pau. No palco aparece o ET, do Muzzarelas, tentando acalmar as coisas! São quase dez minutos de vídeo. O site oficial deles é www.garagefuzz.com.br

Planet Hemp na formação clássica. Interior de SP. Nada mais a declarar! Valeu, Bernardo! Tá no You Tube!

O punk rock melódico do Brasil deve muito ao Pinheads. O trio curitibano misturava Ramones, Bad Religion e foi uma das primeiras bandas que nasceu no underground a viajar por todo o Brasil.

Anarchy Solid Sound. Fizeram shows memoráveis. O baterista Robério ainda continua tocando. Dentre outras, passou pelo pré-Carbona, Barneys, antiga banda do vocalista Henrique. O show começa com Leonardo Panço tocando guitarra e Jota pulando de um lado pra outro com o vocal. Isso muuuuito antes do Jason ir pra Europa. Nesta época, Panço tocava no Soutieen Xiita. Escrevia mais pra amigos e menos pra empresas. Acaba de lançar um livro sobre as peripécias de uma banda underground brasileira excursionando pela Europa. Fome, frio, caos. Compre. Para finalizar, o A.S.S. Deixaram um CD mal gravado - a demo (ainda em fita K7!!!) era melhor!

Foi no Junta Tribo que o IML ficou sem instrumentos. Estavam guardados embaixo do palco, que desabou, e quebrou tudo. Tocaram com instrumentos emprestados. Muito antes de pensar no Autoramas, ali estava Gabriel e seu Little Quail mandando ver “1,2,3,4”!!! Tem No Class, Concreteness, Killing Chainsaw, Cervejas, Boi Mamão, Resist Control, brincando de Deus. Vá já pro You Tube antes que ele fique proibido de novo. O Rock in Rio Caipira não tinha luxo. Mas foi bem mais divertido!


16 de Janeiro de 200

Ciscarelli deixa Brasil sem You Tube!


Nunca uma roçada causou tanta repercussão. Daniela Cicarelli e o namorado Ronaldo Manzoni conseguiram bloquear os acessos ao You Tube em todo o Brasil por boa parte desta terça-feira, 9 de janeiro de 2007. O Juiz paulista Enio Santarelli Zuliani proibiu a exibição do vídeo onde os dois se esfregam por cerca de cinco minutos nas praias da Espanha. O site You Tube teve seu acesso vetado por conta disso.

Nenhum vídeo com a "rapidinha" poderia ser visto no Brasil até que as imagens da ex-Ronaldinho Cascão fossem retiradas. Um porta voz da Google, companhia responsável pelo site, disse que a empresa se esforça em retirar o conteúdo, mas os internautas continuam colocando o vídeo no portal. Os usuários puderam apenas no fim da tarde voltar a acessar normalmente o conteúdo de imagens do You Tube.

Cicarelli é uma figura ímpar nos dias de hoje. Deve ser bom ter o poder de transar na praia e ainda processar os outros por olharem. Afinal, quem manda dividirem o mesmo espaço com ela? Está ficando famosa por factóides de sua vida! Desde que se afastou do ex-marido e, ao que tudo indica, ex-jogador Ronaldo fenômeno, a "modelo" mineira não aparecia tanto na mídia. E ninguém pode negar, a vida dela é cheia de histórias. Belas passagens.

Ciscarelli casou em um castelo na França. O marido era um ídolo mundial, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos. Daniela fez barraco - acontece nas melhores famílias - e expulsou Caroline Bittencourt. O casamento durou menos que folhinha de padaria e Caroline anda por algum lugar. Será que Daniela quebrou Ronaldo e por isso ele não marca mais gols? Parte da imprensa internacional ridicularizou não só a modelo, que sempre aparece como a ex-de Ronaldo Fenômeno, mas toda a situação.

Um país ficou sem acessar o site por conta de uma esfregada na Espanha! Abaixe as calças na praia e processe alguém por olhar em casa! Se eu tivesse sido preso por atentado violento ao pudor, pediria já a revisão da minha pena! Se a Ciscarelli pode fazer isso na praia, porque não eu? Ela poderia fazer um vídeo. Pamela Anderson, Paris Hilton e, por que não, Cicarelli? Seria mais divertido que ver a Viviane Fernandez, a Rita Cadillac, a Gretchen (!). Ela pode ainda responder sobre fantasias sexuais já realizadas em vários programas de televisão.

A proibição do You Tube e a retomada de todo o caso na mídia gerou recorde de acessos a outros sites de vídeos menos populares. DailyMotion.com e até mesmo a página de vídeos do Google exibiam normalmente as imagens da modelo para quem procurasse. Eu ainda não tinha visto. Do jeito que anda a Sessão da Tarde, é recomendado para maiores de 14 anos.

"Uma ordem judicial determinou o bloqueio ao acesso do site YouTube (www.youtube.com) por todos os provedores de internet no Brasil.

A determinação foi dada em processo judicial e foi encaminhada para todas as empresas que possuem controle de tráfego de dados internacional e vale por período indeterminado.

Este bloqueio se refere ao cumprimento do ofício nº 07/2007 processo 583.00.2006.204563-4, assinado pelo merítissimo Juiz de Direito Dr. Lincon Antônio Andrade Moura, por decisão da Quarta Câmara do Tribunal de Justiça do Estado de Sâo Paulo. Portanto, não se trata de um problema técnico por parte da Telefônica e sim do cumprimento de uma determinação judicial."

9 de Janeiro de 2007

Fim do Black Jack

O Black Jack fechou as portas no domingo, 18 de dezembro de 2006. A cidade e a cena rock de São Paulo perderam um dos últimos lugares que permitia a entrada de novas bandas, das mais variadas vertentes do rock. O fim veio depois de 26 anos de bons serviços prestados à noite paulistana. Foram quase três gerações crescendo e freqüentando a casa, localizada na Adolfo Pinheiro, Avenida da Zona Sul da capital paulistana.

Semanalmente, de quarta a domingo, bandas novas, conhecidas e até covers se apresentavam. Havia espaço até mesmo para festas fechadas, despedidas de solteiro, enfim, qualquer evento que tivesse uma banda e esse grupo gostasse de rock and roll.

Sábado, dia 17 de dezembro, Juventude Maldita e New City Rockers foram as duas últimas bandas punk a se apresentar. Em meio a discursos, presenças de ex-donos e shows pra lá de longos, ficam as saudades. São Paulo perde mais um excelente espaço.
Top 6 de fatos e cenas que aconteceram no bar nestes 26 anos. Muito mais coisa aconteceu, então fique à vontade para mandar comentários!


- Nekro, vocalista do Fun People/ Boom Boom Kid deu uma voadora por cima da mesa de som e aterrissou do outro lado, em cima do técnico. Depois disso, não brigaram mais pela qualidade do som e quase que tudo acaba ali mesmo.


- A invasão straight-edge no bar no início da década de 90. Bandas como Personal Choice, Autocontrol (Argentina) e diversas outras. Era só chegar domingo no bar, esperar o show começar e ver todo mundo agitando. Pegando impulso nas vigas do teto e fazendo crowd surfing. Muito antes de existir a Verdurada.


- Show do Samian. Não precisa dizer muito mais.


- Qualquer show do Flicts com casa cheia e latas de cerveja atiradas ao Rafa, baterista.


- Shows do Agrotóxico, Rasta Knast (Alemanha) e Juventude Maldita.


- Aquele camarim tem histórias. Mas também tem perda de memória.


Ps1 – É com pesar que a coluna acusa o falecimento de Joacy Jamys, um dos principais artistas undergrounds que o Brasil já teve nos últimos 35 anos. Que sua arte faça os céus felizes!


20 de Dezembro de 2006

O Underground é Nosso!

A-há, u-hu, o underground é nosso! Shows do H2O, Sick of it All e o vídeo “hardcore“ de Pit Sherman saindo até mesmo no The Wall Street Journal, deixam um clima de testosterona corporativa no ar. Quando bandas pesadas viram notícia e surgem com força é sinal de que o underground voltou a existir. E que vem coisa boa por aí!

Já não há heróis em vendagens tão grandes que façam gravadoras investirem pesado em segmentação. Bandas de faz de conta ou exceções sempre quebram a guerra, mas no geral o underground voltou a ser uma coisa totalmente do-it-yourself.

Você tem Highlight Sounds, Nitroala, Red Star, Ataque Frontal e Monstro trazendo muitas bandas. Todas estas são produtoras independentes, que já ralaram muito para intencionalmente ou não construírem uma cena de bandas punks e indies, rótulo inserido apenas pra sacanear alguns internacionais pelo Bra$il.

Os shows têm divulgação mas não é nada que ultrapasse o limite do esperado. É tudo simples. Quem sabe que existe, sabe que vai rolar, onde é e quase sempre o resultado é casa cheia. Assim foi, por exemplo, o belo show do Tortoise no Sesc Santana, em São Paulo este ano. Mesmo o NOFX no Credicard Hall não estava tão “hypado” de publicidade. Ambos lotaram.

Se você não faz parte da “cena”, palavra amada por uns e odiada por outros, nem fica mais sabendo que tais bandas existem. E hoje a cena já tem gente suficiente pra autogerir. Anos atrás isso não acontecia.

Essa barreira se confundiu um pouco no começo dos anos 90. Tudo ficou grande demais. O NOFX cresceu muito no Bra$il com a abertura da MTV brasileira para eles e também dos fãs de longa data da banda. Hoje, o circuito voltou a ser segmentado.

Este não é um fenômeno brasileiro. Innsbruck, na Áustria, é a terra natal do Racial Abuse. Dezenas de garotos nas ruas com camisetas de bandas da moda. Iron Maiden, Metallica, Limp Bizkit e por aí afora, a lista é longa. Nenhum deles, no entanto, sequer ouviu falar de uma das mais conhecidas bandas que aquela cidade já produziu. O mainstream e o independente voltaram a trilhar caminhos separados.

Bambix era uma banda bem conhecida na Alemanha na década de 90. Hoje, fora dos lugares de skate e de som, quase ninguém conhece. Pessoas normais começaram a consumir coisas diferentes e só quem ficou no “mundinho” - pra usar outra palavra de uso duvidoso - conhece.

Qual a importância disso tudo? Quase nenhuma. Até porque isso só vai ficar assim até que a próxima moda indie, emo, punk, hardcore ou seja lá o que for vender muito. As gravadoras grandes e o sistema voltarão a plastificar o conteúdo e tudo se perderá. Mas nem tudo está perdido. As bandas independentes novas possuem muito mais canais de divulgação. Se antes era difícil gravar uma fita cassete, enviar a demo pelo correio e outras coisas, hoje basta ter uma página no myspace e fazer com que as pessoas a visitem. A música já está disponível. Você não precisa fazê-la chegar até as pessoas. O desafio, hoje, é como fazer as pessoas ouvirem sua música.

Pra que isso tudo? Boa expectativa. Geralmente nestas épocas de underground livre de compromissos e cheio de ideais é que nascem as grandes bandas. Elas não têm medo de inventar. Be Positive!

18 de Outubro de 2006

A Difícil Arte de Votar

“Isso está errado, eu beijo e faço sexo com minha mulher no quarto, entre quatro paredes”. A indignação foi reação a uma cena que começa a ficar comum em São Paulo. Um casal de homossexuais, ao ter o beijo interrompido pelo gerente de algum restaurante ou bar, retorna ao mesmo local pouco tempo depois. Desta vez, acompanhado por outros casais, homossexuais ou heteros, começam a se beijar de forma simultânea e demorada. O “beijaço” é uma resposta à crítica feita anteriormente. É a briga pela liberdade de beijar em público.

A frase que inicia este texto foi dita em entrevista à Rádio CBN pelo candidato a Governador de São Paulo, Carlos Apolinário (PDT), conhecido em eleições passadas por ser candidato ao mesmo cargo pela coligação “São Paulo nas Mãos de Deus”. Apolinário condena beijos até mesmo na piscina de seu prédio e entre pessoas de sexo oposto. Apenas bitocas estão liberadas. Com tudo que está acontecendo na política nacional, o beijo no restaurante ou na piscina me prenderam a atenção na entrevista.

Talvez os dólares na cueca, o mensalão, o esquema dos sanguessugas, as acusações de corrupção, o dinheiro desviado pelo Lalau e de desvio de verbas públicas sejam menos importantes. Virou moda? Vamos todos abaixar, arrumar a meia e perder a Copa?

Mas época de eleição é sempre interessante. O Dr. Enéas (PRONA) desta vez aparece de barba raspada. Gente!

E que fim levou a Dra. Havanir? Deputada Estadual pelo PSDB, foi chamada pelo site Yahoo como “papagaio de pirata” ao acompanhar o então governador do Estado Geraldo Alckmin em novembro do ano passado. Olha só!

A esperança é a última que morre. Principalmente para os partidos pequenos. Eles sempre acham que a pesquisa é mentirosa e que vão vencer. Não conheço gente entrevistada pelo IBOPE nem cabeça de Bacalhau, mas há limites pra tudo. O PRONA sonhar com o governo do estado paulista, conforme entrevista do candidato Ruy Renato Reichmann, para a mesma emissora, é o mesmo que achar que o Barrichello possa ganhar algum dia de Michael Schumacher. “Sempre atrás do alemão”!

Esses dias, na rua vi um adesivo no vidro de outro carro: Alan Polegar (PP) para Deputado Estadual. Lembro de tardes de domingo com ele no Gugu. Outras aparições em filmes da Xuxa. Por isso votar nele? Talvez faça todos os viciados em droga comerem pilhas – ou isqueiros? – como o ex-companheiro de banda, Rafael Ilha. Em setembro de 88, o ex-Polegar foi preso em flagrante quando tentava roubar um vale-transporte e R$ 1 de uma balconista. Dois anos depois, ele voltou a ser detido com dois papelotes de cocaína. E esse saía com a Cristiana Oliveira! Um aparte. Até nisso essas bandas pré-fabricadas se copiam. Backstreet Boys e os tupiniquins do Twister também sofreram do mesmo mal. Alan não, sempre foi um bom moço. Mas votar nele por isso?

Este ano ainda não vi nada sobre o aerotrem. Levy Fidélis e seu aerotrem são a solução pra tudo! Até pra crise do Oriente Médio! Ou seria a solução o Aerolula? Quem sabe ele volta na próxima. Ou outro aerolula, que custou mais de US$ 56,7 milhões aos cofres públicos brasileiros.

Lula não apareceu no primeiro debate entre candidatos à presidência. Como foi dito, vai ver ele não sabia. Ele nunca sabe de nada, mesmo. Lembrou de se candidatar novamente.

Não sou anti-PT. Afinal, de acordo com parte da propaganda gratuita do partido na TV, todos os problemas do Brasil foram causados pelo PSDB. Mas o partido tucano culpa a sigla dos trabalhadores pelos mesmos fracassos. E quem apresenta uma solução? Há alguém em quem votar?

Eleições no Brasil são sempre iguais. Em quem mesmo você votou na última eleição? Enquanto esta mentalidade continuar, as demonstrações de afeto em público seguirão a escandalizar mais que o excelente cenário político atual brasileiro.

22 de Agosto de 2006

PCC liberou o banho de sol

São Paulo parou e o mundo acompanhou pela TV. Delegacias invadidas, ônibus ardendo em chamas, toque de recolher, guerra civil. Os celulares pararam tamanha a histeria causada pelas lastimáveis cenas de violência na televisão. A sensação era de que o governador* poderia ser deposto e que uma bala perdida acharia cada pessoa que você conhece. Nenhum lugar fora a sua casa era seguro e todos deveriam abandonar o trabalho.

O tumulto acabou. Alguns dos ônibus queimados foram vítimas de cooperativas de táxis que pagaram desocupados para aproveitar a ocasião (!). Nem todas as cidades do estado tiveram invasões e quebra-quebras em lojas ou supermercados, diferente da notícia que circulou no fim de semana dos atentados. Foi o caos.

Brilhante a cobertura da “imprensa”. Talvez lembre um pouco o que aconteceu com o Rio de Janeiro na época dos arrastões. Claro, um problema sério. Mas, fato. Nem todo carioca vivenciou um arrastão. Todo paulista viu as cenas pela televisão. O medo dos paulistanos parecia maior que o dos cariocas. A TV causou mais medo. A cobertura na mídia se repetiu. Foi pior. Continua pior.

Quase três semanas depois da briga entre o PCC e a polícia de São Paulo, me deparei com um helicóptero sobrevoando um pacato bairro de São Paulo. Fiquei ainda mais surpreso ao perceber que a rua estava ao vivo no programa do Datena, na Rede Record. “Olha só como São Paulo está deserta. Não há ninguém na rua!”. Nunca houve ninguém nessa rua! Bairros estritamente residenciais não costumam ter movimento de noite. Não há o que fazer na rua. Num dia de semana então! Essa é a missão da “imprensa” brasileira? Mostrar ruas paradas, de um bairro residencial e dizer que todos estão em casa por causa do PCC?

O caos foi generalizado, mas os boatos alimentados por programas como o descrito acima conseguiram piorar causando mais medo ainda na população. A internet e os celulares que funcionaram alardearam uma situação pior.
Culpa só da “imprensa”? E a falta de segurança em geral que a população dos grandes centros vive? Receio é normal para quem mora em cidade grande, mas até que ponto?

Este texto é um protesto - depois de indicar para uma amiga que saísse de casa com duas bolsas - uma é do ladrão, ponha uns trocados e uma carteira de documentos vazia. Pode ficar à vista no carro. Na outra, coloque suas coisas e a mantenha escondida.

Fatos: caos, boatos, acordos por televisão e trocas de camisas, tudo é passado. Como fica a segurança do dia-a-dia? É só lembrar de levar a bolsa do ladrão e ficamos assim? “Acabou” o PCC e fica tudo bom? Até quando o governo federal vai gastar mais com presos do que com alunos? Um preso custa mais ao Estado para ficar sem fazer nada do que um aluno que acaba não fazendo nada por falta de recursos. Essas são as políticas de segurança e educação nacionais?


* Este merece destaque. Se os ataques começaram na sexta e as ações de proteção da polícia somente depois? Precisava morrer tanta gente?

1 de Junho de 2006

Não deixem o Garotinho morrer de fome

O ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato à presidência da república pelo PMDB, Anthony Garotinho, consegue levar o seu sobrenome às últimas conseqüências. Esta semana, revoltado com denúncias da imprensa de irregularidades na sua corrida pelo posto mais alto da política nacional, iniciou uma greve de fome. Ele diz que estaria disposto a ir até o fim - “morrer e salvar sua honra” – se não fosse atendido. Ele exige possibilidade de retratação na imprensa e instituição de uma supervisão internacional no processo político-eleitoral brasileiro. Até onde o rechonchudo político carioca chegará?

Garotinho conseguiu criar um factóide e desviar a atenção para as denúncias em sua campanha. Hoje, ao invés de falar dos desvios, do envolvimento do político com pessoas de pouca confiança e de outras peripécias, todos focam simplesmente no seu estado de saúde. E apostam até quanto ele consegue ficar sem comer! Daqui a pouco, além do bolão da copa, teremos o bolão Garotinho. Algumas rádios em SP já começam a ironizar a situação. Realmente, este é o país da piada pronta.

Imagino Garotinho como presidente da república. Após a crise de pânico passar, penso nas suas reações se ocupasse o cargo quando enfrentasse problemas. Mais pânico.

Ele e Roberto Jefferson são espertos e inteligentes. Acusações sem provas, greves de fome e demais atuações dignas de Oscar acabam por desviar o foco. Se fosse assim, com certeza uma greve de fome do presidente Lula resolveria o problema do gás com a Bolívia, o problema de distribuição de renda e, quem sabe, até mesmo o problema do caótico sistema de saúde do estado Fluminense, que nosso intrépido político com sobrenome de criança e sua esposa governam há um bom tempo.

Ele luta sozinho numa batalha onde é herói da causa própria. Seus métodos não são claros e não produzem respostas. Falem mal ou bem, mas falem de mim pode funcionar com seus amigos, comendo merenda no recreio, mas não para conseguir se eleger e muito menos para governar o país.

Pensando como ele, imaginem os membros do PT todos fazendo greve de fome antes de serem cassados ou exonerados de seus cargos? E os restaurantes freqüentados por políticos em Brasília? Fechariam as portas?

Sabe por que tudo isso? Veículos de comunicação de diversos grupos noticiaram possíveis irregularidades na pré-campanha do pré-candidato do PMDB que parece estar no pré-primário. Dentre elas, aparecem empresas doadoras de verba para a sua campanha que apresentaram endereços falsos para a Receita Federal. As denúncias da mídia também apontam que o assaltante José Onésio Rodrigues Ferreira, 33 anos, atualmente morador residente do complexo penitenciário de Bangu, seria sócio de uma das empresas que doaram verbas para a campanha do ex-governador.

Estes são apenas dois exemplos e se você não mora em Marte, com uma rápida pesquisa em qualquer jornal, poderá conseguir mais informações.

O fato é que Garotinho conseguiu espaço na mídia. Ao invés de tentar provar sua honestidade, mostrou um descontrole emocional. No lugar de greve de fome, as pessoas esperam provas de sua inocência.

As eleições presidenciais se aproximam. Escândalos como este se repetirão algumas vezes. Cabe a você e a todos os eleitores pensarem, pensarem e, mais uma vez, pensarem. Garotinho pode estar certo. As denúncias podem ter sido inventadas. Mas será que um postulante a presidente do maior país da América Latina deve reagir com greve de fome? Isso mostra o líder que o país precisa? As urnas darão as respostas e boa sorte para todos os brasileiros.

3 de Maio de 2006

Linha Cruzada

Pagar as contas pode ser mais difícil do que se imagina. Tentar pagar uma conta da Telefônica pode ser ainda mais difícil. Por completo descuido, culpa do grande número de tarefas, acabei me esquecendo de duas contas de telefone. Claro que apenas descobri que não tinha pago quando a linha ficou muda. Na manhã do mesmo dia ainda briguei com o cachorro, pensando que ele tinha comido os fios. Até comprei um telefone novo.

Passaram alguns dias e a linha continuava mais muda que testemunha do tráfico de drogas. Nem mesmo um zumbido pra dar a sensação de ter algo ali. Só fui descobrir que o telefone estava cortado por falta de pagamento quando solicitei reparo na linha pelo 10315 da Telefônica. Fui informado que bastava entrar na consulta on-line que minha conta estaria disponível. Entrei, naveguei no belo e bem construído site da companhia espanhola e recebi a seguinte mensagem:

“Não consta nenhuma conta pendente para o número do telefone informado. Por favor, volte a consultar aproximadamente 5 dias antes da data do próximo vencimento de sua conta. “

Liguei novamente para o serviço de "relacionamento ao cliente" da Telefônica. O atendente Rafael Galau (G-A-L-A-U, como soletrou com orgulho o nome quando lhe foi consultado) me informou que eu tinha duas opções:

Esperar até cinco dias da próxima fatura, mesmo que isso implicasse em continuar sem poder fazer ligações da minha casa ou pagar uma taxa para receber as segundas vias pelo correio. Independente do valor da taxa. Segui todos os passos sugeridos pela telefônica para quê? Para ligar por mais duas vezes, escutar mensagens com propagandas durante intermináveis esperas telefônicas e ser informado que o site não funciona e pra resolver meu problema urgente preciso pagar?

É multa, perguntei? "Não, isso é uma taxa referente à entrega dos correios. O senhor paga e nós vamos estar enviando a sua conta para regularizar a situação", disse Rafael G-A-L-A-U, Galau.

Mas não seria errado eu pagar esta taxa visto que ela só vai existir devido a um problema no site de vocês? "Assim é o sistema e o senhor terá de estar pagando a taxa", disse nosso intrépido assistente, depois de decorar muito bem o manual.

Infelizmente, o mundo é assim. O sistema vence os atarefados que se esquecem das contas. Quem manda eu trabalhar o dia todo, fazer freelas, ter banda, ter uma vida, me matar pra sobreviver e me esquecer de uma conta? São os G-A-L-A-Us que se sobressairão. Em tempos de relacionamentos modernos com o cliente, a Telefônica dá aula justamente em como estressar e desdenhar profundamente a empresa. Parabéns ao “monopólio” que não permite a entrada de outros players neste mercado. Assim, o consumidor pode continuar a ser desrespeitado e não ter opção similar numa concorrência que praticamente inexiste.

Parabéns, Telefônica. Por sua causa fico feliz em gastar mais dinheiro no celular. Viva o sistema em que os robôs se sobressaem e as pessoas ficam cada vez mais presas a regras e formatos. C’est la vie!

20 de Abril de 2006

Pedra, letra ou número?

Um verdadeiro frenesi tomou conta do país quando confirmaram as vindas de U2 e Rolling Stones. Não havia conversa entre amigos que não se comentasse algo sobre os mega grupos. Planos para o dia do show, músicas preferidas, ex-mulheres ou noitadas dos integrantes, extravagâncias, tudo era discutido. Várias mídias também retrataram as bandas das mais diversas maneiras.

Começo pelos Stones. TUDO era importante. "Luciana Gimenez está na piscina do Copacabana Palace e atenção!", exclamava o apresentador da Rede TV, "Mick Jagger está lá no hotel!", continuou em tom de descoberta para a cura do câncer. O jornal O Estado de S. Paulo publicou uma página inteira sobre a visita da banda inglesa na cidade de Matão. Os Stones passaram uma temporada no interior de São Paulo nos anos 70. Bela matéria.

Com tanta atenção da mídia, algumas lendas urbanas nasceram. Talvez o comentário mais divertido tenha sido um pouco preconceituoso. Em São Paulo, a maioria das pessoas tinha um amigo carioca, ou conhecia alguém que tinha um. A recomendação deste "amigo" era: “Nem os cariocas vão porque todos sabem que será uma loucura e serão assaltados. Já avisaram que vai ter arrastão”. Como será que essas coisas nascem? Alguém conta uma piada, outro acredita e passa pra frente como verdade? Como esse show será lembrado daqui a 50 anos?

A passagem do U2 também “parou” o Brasil. Até mesmo o presidente Luis Inácio Lula da Silva quis encontrar com Bono. Ainda me pergunto o que, em qual língua eles conversavam a sós enquanto posavam para as fotos? Vale lembrar que Lula é autor de frases do tipo: “A maioria das importações do Brasil vem de fora do país”. Talvez seja isso que tentou dizer ao Bono enquanto zilhões de flashs refletiam em sua pele vermelha (seria exposição ao sol ou ao álcool?). Será que o governo me expulsa do país por dizer isso?

A Globo mostrou matéria cujos personagens eram pessoas acampadas na porta de um dos portões do Estádio do Morumbi, em São Paulo, onde os irlandeses se apresentariam dias depois. “Estamos aqui há uma semana e já conhecemos todos os vizinhos de barraca. Vamos até fundar uma comunidade no orkut dos acampados no portão XX”, revelou uma das felizes e sorridentes pessoas que queriam entrar antes de todos. A meta era ficar o mais perto possível do palco. Depois dessa maratona, o mais provável é que seriam todos esmagados pelo restante do público contra uma grade que fica na frente dos palcos. Felicidade é mesmo ser um conceito subjetivo.

O líder da banda irlandesa beijou outra brasileira nos palcos. A garota virou celebridade. Seu orkut e também o de seu marido receberam milhares de mensagens em algumas horas. Katilce Miranda deu entrevistas para várias publicações, estações de rádio e TVs. Alguns sites divulgaram até que ela estava sendo cogitada para fazer uma ponta em algum programa da Globo. Agora, além dos ex-BBBs teremos as ex-beijadoras do Bono como celebridades.

Imagino que sejam lembranças distintas para Katilce e para seu marido. O que dizer aos amigos, tomando aquela cerveja na sexta-feira? Perguntar “Você viu minha mulher na TV?”. Mas Katilce não foi a única. Alguém lembra o nome da garota que viveu um fenômeno parecido ao beijar Bono em um show anterior?

Se falou tanto sobre tanta coisa. Será que não dava pra falar um pouco mais do Franz Ferdinand, que abriu os shows? Pelo menos o suficiente para que outras pessoas pudessem conhecer a banda. Confesso que tentei falar mais sobre eles, mas não deu. A banda é legal, mas U2 é U2. Stones são Stones. Num cenário onde tudo é mega, rentável e mexe tanto com um país, o FF novo e bom. E isso pra concorrer, com sorte, a ator coadjuvante.

21 de Março de 2006

Luto pelas cores e pela distorção

Mal começou o ano e já registramos perdas inestimáveis: dois grandes personagens da cena punk mundial e um grande artista plástico brasileiro, Thomas “Pig Champion” Rogers, fundador do Poison Idea, Jason Sears, vocalista do RKL (Rich Kids on LSD) e o artista plástico cearense Adelmir Martins deixarão mais que saudades.


Adelmir Martins pode ser chamado de punk em sua essência. Talvez um dos artistas mais importantes do Brasil pós semana de arte moderna em 22. Suas cores fortes, disformes e lógicas deram um novo rumo ao modernismo e a pesquisa de arte no Brasil. Se alguns chocam com a distorção e com a microfonia, ao longo dos seus 83 anos ele chocou por sua personalidade e capacidade. Sujeito simples, pau de arara como dizia, teve como grande título o Grande Prêmio Internacional de Desenho da 28ª Bienal de Veneza, na Itália, no fim da década de 40.

Adelmir faleceu vítima de um infarto no último sábado, 4 de fevereiro.
Foi um artista que fez de tudo, criando e influenciando com seu próprio estilo. Sem se ater a padrões estéticos das épocas que enfrentou, ficou mais conhecido popularmente pela série “Gatos”. Seus quadros já valorizaram até 40%¨em algumas galerias de São Paulo. A arte pode ser cruel.


Formado em Portland, OR, nos EUA, em 1980, o Poison Idea estreou três anos depois com o EP “Pick Your King”. Eram 13 músicas em 16 minutos com influências claras de Discharge e The Germs. Adicione isso a uma rotina niilista de drogas, álcool, fast food e apologia à gordura que você terá uma bela idéia da atitude deles. Um disco obrigatório, seja pela música, pelo conceito histórico/ místico ou pela atitude, é o EP de 12” (vinil de 12 polegadas) “Fuck Ian Mackaye”, lançado pela América Leather, em 89, e reeditado recentemente com faixas bônus.


A discussão junkie x straight edge levada ao extremo, nem que seja do bom humor. Thomas “Pig Champion” Rogers faleceu em sua casa no último 30 de janeiro vítima de insuficiência renal. Seus discos continuam ao mesmo preço, mas pode esperar uma série de relançamentos por aí. A arte e a vida têm seu preço.


O Rich Kids on LSD – RKL – foi, de acordo com o site PunkNews.org, um dos principais expoentes da cena de Santa Bárbara, na Califórnia, na década de 90. Jason Sears acabou conhecido como o vocalista clássico da banda por cantar “Riches to Rags”, lançado pela Epitaph. A banda acabou em 96, mas chegou a tentar algumas voltas em 2001, 2002, 2004 e 2005. Responsável por influenciar quase que uma geração de bandas californianas que viria na seqüência, após o fim do RKL, Jason gravou algumas coisas. Dentre elas, ele cantou em “Strait Up”, um tributo a James Lynn Strait, do Snot, chamado “Until We Meet Again” (algo como até que nos encontremos novamente”).

Trocadilhos à parte, Jason deixou órfã toda uma geração que cresceu ouvindo sua voz. Ele faleceu no último dia 31 de janeiro em Tihuana, no México, em uma sessão de desintoxicação de drogas. Tinha 38 anos. Dois integrantes, o guitarrista Chris Rest e o batera Dave Raun seguem na ativa com o Lag Wagon. Já saiu o anúncio de algumas reedições da banda.


Alguma coincidência? Adelmir Martins, Pig Champion e Jason Sears eram pessoas diferentes mas também possuem muitas coisas em comum. Dentre elas a convicção de seguir os instintos sem se importar com o que outros irão pensar, comprar ou como irão reagir. Esta atitude começa a deixar saudades no mundo politicamente correto e chato em que vivemos hoje em dia. Mas as pessoas seguem lucrando em cima da morte das outras. E isso é considerado normal.

Discografia Poison Idea

1982 Darby Crash Rides Again demo tape
1983 Pick Your King 7” EP (Fatal Erection)
1984 Record Collectors Are Pretentious Assholes 12” EP (Fatal Erection)
1986 Kings of Punk LP (Pusmort)
1987 War All the Time LP (Alchemy)
1988 Filthkick EP (Shitfool)
1988 Getting the Fear 12” EP (Rockport)
1989 Darby Crash Rides Again EP (American Leather) Relançamento da demo tape
1989 Fuck Ian MacKaye 12” (American Leather, 1989) Relançamento com faixas bônus: Filthkick e Getting the Fear
1989 Picture disc 7” (American Leather)
1990 Discontent 7” (American Leather)
1990 Feel the Darkness LP (American Leather)
1991 Punish Me 7” (American Leather)
1991 Dutch Courage live LP (Bitzcore)
1991 Live in Vienna 7” (American Leather)
1991 Official Bootleg 2x7” (American Leather)
1992 Pajama Party LP (Tim Kerr) Somente covers
1992 Blank Blackout Vacant LP (Taang!)
1993 We Must Burn LP (Tim Kerr, 1993)
1994 Religion and Politics Part I & II 10” (Tim Kerr, 1994) Da mesma sessão de gravação do We Must Burn
1994 The Early Years CD (Bitzcore)
1998 Learning to Scream 7” EP (Taang!)
2000 The Best of Poison Idea CD (Taang!) Relançamento contém bônus: Pick Your King, Record Collectors, e Kings of Punk
Coletâneas
1983 Grievous Musical Harm tape (Xcentric Noise) “M.I.A.,” “All Right,” “Young Lord”
1985 Drinking Is Great EP (Fatal Erection) “Laughing Boy”
1985 Cleanse the Bacteria LP (Pusmort) “Typical,” “Die On Your Knees” ( “I Gotta Right” aparece como bônus apenas na versão de 12”)
1991 Punk’s Not Dread LP (Sink Below) “New Rose”



Discografia - R.K.L.


Nardcore, Coletânea LP (1984)
It's a Beautiful Feeling, 7" EP (1984)
Covers, Coletânea LP (1984)
Mystic Super Seven Sampler #1, Coletânea LP (1984)
Keep Laughing LP (1985)
RocK 'n Roll Nightmare LP (1987)
Double Live in Berlin LP (1988)
Reactivate LP (1993)
Riches to Rags LP (1994)
Revenge is a Beautiful Feeling, CD (2000)

8 de Fevereiro de 2006

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Brasil Tipo Exportação

“Você fala brasileiro! Que lindo!”, disse ela com um tom surpreso e um sorriso mais que entusiasta. Andréa Navarra, uma uruguaia de 22 anos, estudante de Nutrição, acha bonita a nossa língua e adora conversar com brasileiros. “Vocês são muito alegres. Prefiro escutar português, que é diferente, do que espanhol”, completa.

Este é apenas um dos relatos de cenas que se repetiram em várias outras situações numa recente viagem. Falar português tem aberto muitas portas ao redor do mundo. “É bonito, é cantado e sempre puxo conversa com quem fala esta língua bonita quando a escuto”, comentou Natália Erita, uma argentina portenha, de 27 anos e estudante de Direito.

Tanto em Punta del Este, no Uruguai, como em Buenos Aires, na Argentina, você pode facilmente encontrar caipirinha nos bares – ou algo muito parecido com ela, pela diferença de limão e açúcar. No Devenir, localizado no bairro Palermo Hollyood, em Buenos Aires, além de servir a tradicional bebida nacional, pintaram a casa toda de verde e amarelo. O dono recepciona todos os clientes na porta, com saudações em português: “Boa Noite, sejam bem-vindos ao Devenir Brasil”.

Lotado de hermanos, o local é um desfile de música brasileira pra gringo ouvir. De funk carioca a axé music, passando por Skank, Jota Quest e, claro, Ivete Sangalo, a cantora brasileira mais badalada nos países vizinhos (?).

Una Tienda en el Mundo é uma descolada loja de roupas e assessórios na Calle Defensa, no boêmio bairro de Santelmo, em Buenos Aires. Ali, há uma camiseta, no mínimo curiosa – “ Brazuka, o maior chiclete do mundo”. Os dizeres remetem à fama de, segundo nossos vizinhos, os brasileiros proclamarem que tudo em seu país é o maior do mundo. “O maior campo de futebol do mundo vocês dizem ser o Maracanã. Vocês têm até uma cidade onde tudo é o maior do mundo, não?”, comentou “Barbie”, uma argentina dona de casa de 34 anos numa alusão à cidade de Itu, no interior de São Paulo.

A música brasileira também está invadindo os bares dos países vizinhos. Se há alguns anos viajar pela América do Sul era ver Axé Bahia (muito famosos no nosso continente e desconhecidos aqui. Precisa explicar que tipo de som?), hoje é mais comum escutar Marcelo D2, Paralamas, Los Hermanos e Charlie Brown Jr., seja em bares de La Paloma e La Pedrera, ambas no Uruguai, como na capital Argentina.

Faz calor em Barcelona e a alta temperatura estimula o uso de cores fortes pelos europeus. O verde e amarelo nacional se espalham pela capital catalã como uma febre. Só mesmo o sucesso de Ronaldinho Gaúcho no time e orgulho local ofuscam um pouco. Mesmo assim, é Brasil. Nossas praias, música e principalmente nosso futebol, estão muito em alta por lá.

Os jogadores brasileiros são amados na cidade. Até mesmo os que atuam no eterno rival da capital recebem atenção. “O Robinho ainda vai ser muito grande no Madrid, o Barça tem de se preocupar com isso. Por enquanto, o melhor do mundo é gaúcho, brasileiro e também da nossa cidade”, diz José Alencar Ruiz, jornalista de 22 anos e torcedor do Espanhol, segundo time da cidade de Barcelona.


Nas lojas, em meio à camisetas do Barcelona (cidade e equipe de futebol) e da Espanha, é comum ver os dizeres Brasil ou as cores amarelas por todos os lados. O catalão ama esporte e por isso as nossas cores.
Na Alemanha, no Aeroporto de Frankfurt, o coração da Europa, a camiseta brasileira é a mais vendida na Loja Sports Greates. “Fizemos uma série comemorativa do título mundial de cada país e a camiseta do Brasil 1970 é a que mais vende”, conta Helga Schwarssman, atendente da loja.

Havaianas, caipirinha, Gisele Bündchen, futebol, cerveja Brahma, verde e amarelo estão por todos os lugares. Viva a época em que o Brasileiro começa a ser respeitado fora do Brasil. E com orgulho.

12 de Janeiro de 2006

TODO radicalismo é burro. TODO!

No início deste ano tive de viajar para os Estados Unidos a trabalho. Sempre me considerei uma pessoa livre de preconceitos - até aquele momento. O país inteiro comentava a reeleição de George W. Bush. Interessante ver um americano discutindo política. Principalmente porque boa parte do grupo não tinha votado por ter esquecido (!) no dia.

Sim, lá as pessoas se registram para votar, mas o dia da eleição é igual a todos os outros e não um feriado como no Brasil. Como todos estavam trabalhando, simplesmente esqueceram que aquele dia era de definição para o futuro de seu país. Talvez do mundo.

Estava eu no aeroporto de Detroit, esperando um vôo para Washington que chegaria no mesmo momento em que o presidente reeleito faria seu discurso de posse. Um frio de menos 15 graus congelava qualquer coisa. Até pensamento. Tudo ia bem. Até que, subitamente, vários muçulmanos (mais de 30) em roupas típicas, adentraram o saguão. Foi o suficiente para transformar um momento tranqüilo em pura apreensão.

O aeroporto simplesmente parou. Nunca passei tão rápido por uma revista pré-embarque. Todos os presentes na fila apenas comentavam que estavam com medo do que o novo grupo trazia nas mãos - um envelope transparente recheado com líquido idem. Para o guarda, alegaram ser água benta que levariam de volta para seu país.

Tranqüilo? Só pensava em porque raios não havia vôos diretos de Detroit para o Brasil e outros países. Seria o suficiente para não ter de ir até Washington trocar de vôo. O grupo iria sabe-se lá pra onde, direto. Eu viria para meu país e não teria de passar por aquela situação de dividir o vôo.

Quando dei por conta de mim, estava a bordo de um pequeno jato fabricado pela nossa Embraer, acompanhado de parte do grupo muçulmano. Estar ali, junto deles, naquele momento, com toda a paranóia que permeia os dois povos, foi extenuante. Pensar que, a qualquer momento, um deles poderia levantar, sacar sua “água benta”, seqüestrar a aeronave e jogá-la sobre a Casa Branca não foi fácil. Afinal, o vôo deixava a cidade-símbolo da revolução industrial americana, o orgulho da produção automotiva do país e se dirigia para a capital, no mesmo momento do discurso do inimigo número um daquela religião. Mesmo sabendo que eles passaram até por “cavity search” (que também não é justo, mas isso é tema para outro texto), não há como não temer.

Você, caro leitor, há de convir que não é fácil deixar os preconceitos e o medo de lado nesses casos. Principalmente por não saber por que alguém precisava levar água benta de um país para outro.

E se eles seqüestrassem o avião? Depois de tantos anos defendendo as atitudes (lamentando a perda de mortes civis que nada têm a ver com a discussão), como eu reagiria? Criticar a prepotência americana é uma coisa, mas ceder à vida em prol de uma causa e de uma briga que não é minha é outra.

Enfim, nada aconteceu e um sentimento estranho ficou. É fácil criticar os outros, o difícil é sentir na pele. Principalmente sabendo pelo noticiário que alguns aviões sofreram tentativa de seqüestro naquele exato momento em que eu estava voando.

18 de Dezembro de 2005