sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Brasil Tipo Exportação

“Você fala brasileiro! Que lindo!”, disse ela com um tom surpreso e um sorriso mais que entusiasta. Andréa Navarra, uma uruguaia de 22 anos, estudante de Nutrição, acha bonita a nossa língua e adora conversar com brasileiros. “Vocês são muito alegres. Prefiro escutar português, que é diferente, do que espanhol”, completa.

Este é apenas um dos relatos de cenas que se repetiram em várias outras situações numa recente viagem. Falar português tem aberto muitas portas ao redor do mundo. “É bonito, é cantado e sempre puxo conversa com quem fala esta língua bonita quando a escuto”, comentou Natália Erita, uma argentina portenha, de 27 anos e estudante de Direito.

Tanto em Punta del Este, no Uruguai, como em Buenos Aires, na Argentina, você pode facilmente encontrar caipirinha nos bares – ou algo muito parecido com ela, pela diferença de limão e açúcar. No Devenir, localizado no bairro Palermo Hollyood, em Buenos Aires, além de servir a tradicional bebida nacional, pintaram a casa toda de verde e amarelo. O dono recepciona todos os clientes na porta, com saudações em português: “Boa Noite, sejam bem-vindos ao Devenir Brasil”.

Lotado de hermanos, o local é um desfile de música brasileira pra gringo ouvir. De funk carioca a axé music, passando por Skank, Jota Quest e, claro, Ivete Sangalo, a cantora brasileira mais badalada nos países vizinhos (?).

Una Tienda en el Mundo é uma descolada loja de roupas e assessórios na Calle Defensa, no boêmio bairro de Santelmo, em Buenos Aires. Ali, há uma camiseta, no mínimo curiosa – “ Brazuka, o maior chiclete do mundo”. Os dizeres remetem à fama de, segundo nossos vizinhos, os brasileiros proclamarem que tudo em seu país é o maior do mundo. “O maior campo de futebol do mundo vocês dizem ser o Maracanã. Vocês têm até uma cidade onde tudo é o maior do mundo, não?”, comentou “Barbie”, uma argentina dona de casa de 34 anos numa alusão à cidade de Itu, no interior de São Paulo.

A música brasileira também está invadindo os bares dos países vizinhos. Se há alguns anos viajar pela América do Sul era ver Axé Bahia (muito famosos no nosso continente e desconhecidos aqui. Precisa explicar que tipo de som?), hoje é mais comum escutar Marcelo D2, Paralamas, Los Hermanos e Charlie Brown Jr., seja em bares de La Paloma e La Pedrera, ambas no Uruguai, como na capital Argentina.

Faz calor em Barcelona e a alta temperatura estimula o uso de cores fortes pelos europeus. O verde e amarelo nacional se espalham pela capital catalã como uma febre. Só mesmo o sucesso de Ronaldinho Gaúcho no time e orgulho local ofuscam um pouco. Mesmo assim, é Brasil. Nossas praias, música e principalmente nosso futebol, estão muito em alta por lá.

Os jogadores brasileiros são amados na cidade. Até mesmo os que atuam no eterno rival da capital recebem atenção. “O Robinho ainda vai ser muito grande no Madrid, o Barça tem de se preocupar com isso. Por enquanto, o melhor do mundo é gaúcho, brasileiro e também da nossa cidade”, diz José Alencar Ruiz, jornalista de 22 anos e torcedor do Espanhol, segundo time da cidade de Barcelona.


Nas lojas, em meio à camisetas do Barcelona (cidade e equipe de futebol) e da Espanha, é comum ver os dizeres Brasil ou as cores amarelas por todos os lados. O catalão ama esporte e por isso as nossas cores.
Na Alemanha, no Aeroporto de Frankfurt, o coração da Europa, a camiseta brasileira é a mais vendida na Loja Sports Greates. “Fizemos uma série comemorativa do título mundial de cada país e a camiseta do Brasil 1970 é a que mais vende”, conta Helga Schwarssman, atendente da loja.

Havaianas, caipirinha, Gisele Bündchen, futebol, cerveja Brahma, verde e amarelo estão por todos os lugares. Viva a época em que o Brasileiro começa a ser respeitado fora do Brasil. E com orgulho.

12 de Janeiro de 2006

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