sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Underground é Nosso!

A-há, u-hu, o underground é nosso! Shows do H2O, Sick of it All e o vídeo “hardcore“ de Pit Sherman saindo até mesmo no The Wall Street Journal, deixam um clima de testosterona corporativa no ar. Quando bandas pesadas viram notícia e surgem com força é sinal de que o underground voltou a existir. E que vem coisa boa por aí!

Já não há heróis em vendagens tão grandes que façam gravadoras investirem pesado em segmentação. Bandas de faz de conta ou exceções sempre quebram a guerra, mas no geral o underground voltou a ser uma coisa totalmente do-it-yourself.

Você tem Highlight Sounds, Nitroala, Red Star, Ataque Frontal e Monstro trazendo muitas bandas. Todas estas são produtoras independentes, que já ralaram muito para intencionalmente ou não construírem uma cena de bandas punks e indies, rótulo inserido apenas pra sacanear alguns internacionais pelo Bra$il.

Os shows têm divulgação mas não é nada que ultrapasse o limite do esperado. É tudo simples. Quem sabe que existe, sabe que vai rolar, onde é e quase sempre o resultado é casa cheia. Assim foi, por exemplo, o belo show do Tortoise no Sesc Santana, em São Paulo este ano. Mesmo o NOFX no Credicard Hall não estava tão “hypado” de publicidade. Ambos lotaram.

Se você não faz parte da “cena”, palavra amada por uns e odiada por outros, nem fica mais sabendo que tais bandas existem. E hoje a cena já tem gente suficiente pra autogerir. Anos atrás isso não acontecia.

Essa barreira se confundiu um pouco no começo dos anos 90. Tudo ficou grande demais. O NOFX cresceu muito no Bra$il com a abertura da MTV brasileira para eles e também dos fãs de longa data da banda. Hoje, o circuito voltou a ser segmentado.

Este não é um fenômeno brasileiro. Innsbruck, na Áustria, é a terra natal do Racial Abuse. Dezenas de garotos nas ruas com camisetas de bandas da moda. Iron Maiden, Metallica, Limp Bizkit e por aí afora, a lista é longa. Nenhum deles, no entanto, sequer ouviu falar de uma das mais conhecidas bandas que aquela cidade já produziu. O mainstream e o independente voltaram a trilhar caminhos separados.

Bambix era uma banda bem conhecida na Alemanha na década de 90. Hoje, fora dos lugares de skate e de som, quase ninguém conhece. Pessoas normais começaram a consumir coisas diferentes e só quem ficou no “mundinho” - pra usar outra palavra de uso duvidoso - conhece.

Qual a importância disso tudo? Quase nenhuma. Até porque isso só vai ficar assim até que a próxima moda indie, emo, punk, hardcore ou seja lá o que for vender muito. As gravadoras grandes e o sistema voltarão a plastificar o conteúdo e tudo se perderá. Mas nem tudo está perdido. As bandas independentes novas possuem muito mais canais de divulgação. Se antes era difícil gravar uma fita cassete, enviar a demo pelo correio e outras coisas, hoje basta ter uma página no myspace e fazer com que as pessoas a visitem. A música já está disponível. Você não precisa fazê-la chegar até as pessoas. O desafio, hoje, é como fazer as pessoas ouvirem sua música.

Pra que isso tudo? Boa expectativa. Geralmente nestas épocas de underground livre de compromissos e cheio de ideais é que nascem as grandes bandas. Elas não têm medo de inventar. Be Positive!

18 de Outubro de 2006

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